Mulher cresce sabendo que tem que ser linda, alta, magra e andar sempre arrumada, e isso inclui depilação, cabelo sem um fio fora do lugar, roupa de acordo com a “última tendência” (afff, essa expressão, viu?) e isso tudo, logicamente, acompanhado de uma super maquiagem feita com mil e duzentos produtos de marcas importadas e várias técnicas loucas. Aí a gente cresce e adquire, ou apura, o senso crítico e se pergunta: “Por quê devo seguir o baile?” e de repente tá gritando:

 “Gente! Não! Tá errado issaê! Tô no baile errado, pára!”

 

“O baile só segue quando você expulsa do baile quem não merece te acompanhar.”

Primeiro é preciso desconstruir internamente tudo o que a gente ouve da nossa mãe, da avó, das tias, das colegas de escola e da vida porque isso vem de uma base muito antiga (e bastante machista se a gente olhar profundamente) em que as revistas de moda, aquelas que você lê até hoje, ditam o que é bonito, o que devemos usar e “o que os homens querem no sexo”. Essa revista linda, super cara que você assina, ou todo mês bate ponto na banca pra comprar, é recheada de anúncios – se bobear tem mais anúncio que matéria! E, o que isso nos fala? Pra mim, grita o tempo todo um incentivo para comprar – muitas coisas que sequer pensamos em comprar – e, principalmente destruir a nossa auto imagem!

Veja bem, não digo que não compro revistas de moda ou que os anúncios sejam ruins. Não é isso. O fato é que essa indústria incrível e multimilionária ganha dinheiro nos fazendo consumir, nos fazendo encher os armários com caminhões de roupas, e montanhas de bolsas, sapatos, acessórios porque “a moda agora é essa”. E isso não é bom, de jeito nenhum! Uma coisa é você comprar algo que curtiu, que te fez bem, que te agradou. Outra é ficar parcelando o mundo no cartão de crédito e se endividando para “andar na moda” pra se sentir bonita como a modelo, sendo que é muito mais legal você ser bonita como você já é e até com os itens que você já tem.
O que eu quero dizer, basicamente, é que já é um tremendo exercício diário a gente enxergar que a gente é sim legal, bonita, criativa, companheira, tem um cabelo maravilhoso, que se veste bem, que é inteligente e tudo bem se não se depila, se não faz as unhas, se não usa maquiagem, se não usa esmalte, se alisa o cabelo, se só usa roupa justa, se não usa de jeito nenhum, se usa salto, se usa tênis. Já tem muita gente jogando contra a gente mesma, pra quê facilitar a vida desse povo?
Hoje em dia com tanta informação de moda circulando, é cada vez mais legal a gente fugir dessa roda de hamster engessada e ser a gente mesmo e isso super se reflete no nosso vestir, nos acessórios e no nosso dia a dia.
Tá tudo correlacionado!

Por muitos anos eu fui vítima dessa roda de hamster: segui toda a cartilha e me dei mal, em todos os aspectos. Nunca me senti bem comigo mesma, até a hora que eu dei um basta e resolvi seguir o baile do meu jeito. O legal da vida é exatamente esse: cada um tem o seu baile, cada um tem o seu jeito de seguir com ele e é exatamente essa a mágica da coisa toda! Imagina que chato ia ser se todo mundo fosse igualzinho? Socorro!

O primeiro post oficial daqui tem essa mensagem pra passar: siga o baile, mas se preferir ir de tênis, vá! O baile é seu, você que manda!